28.2.09

Notas do Sânscrito




- Brahman: O Absoluto, O Supremo, Deus, O Grande Arquiteto Do Universo, O Profundo, A Fonte, O Todo que está em tudo. - Avatares: emissários celestes, seres de luz, mestres conectados à consciência cósmica. - Dharma: missão, dever, trabalho, meta virtuosa, programação existencial, ação correta, benção, mérito, atitude sadia. - Prana: sopro vital, energia. - Ioga: do sânscrito “Yoga” – União. - Chacras: centros energéticos situados no corpo sutil. - Rishis: sábios espirituais da antiga Índia (mentores dos Upanishads, a parte final dos Vedas). - Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século 19 e que é considerado até hoje como um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século 20 se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Gandhi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.
Por Wagner Borges

23.2.09

GANESHA CHATURTHI PUJA


GANESHA CHATURTHI PUJA

Saudações ao Senhor Ganesha, que é o Brahman em Si mesmo, que é o Senhor Supremo, que é a energia do Senhor Siva, cuja origem é toda bem-aventurança, que está por cima de todas as qualidades virtuosas, e o sucesso em todos os entendimentos.

Mushikavaahana modaka hastha,Chaamara karna vilambitha sutra, Vaamana rupa maheshwara putra,Vighna vinaayaka paada namasthe

Significado: "Óh Senhor Vinayaka! O removedor de todos os obstáculos, o filho do Senhor Siva, e cuja forma é breve; com um ratinho como sendo Seu veículo, que carrega um pratinho de doces em Suas mãos, com largas orelhas e longa tromba; eu me prostro diante de Vossos pés de lótus!”

Ganesh Chaturthi é dos mais populares festivais Hindus. Ele é o aniversário do Senhor Ganhesha. Este é o dia mais sagrado para o Senhor Ganesha. Ele acontece no quarto dia da noite de lua cheia de Bhadrapada: entre Agosto e Setembro. Ele é observado ao longo de toda a Índia, bem como devotos Hindus no mundo todo.

A seguinte história e contada sobre Seu aniversário, e como Ele ficou com a cabeça de elefante: Certa feita a Deusa Gauri, consorte do Senhor Siva, enquanto se banhava, criou Ganhesha como um ser puro e branco, do pó do seu corpo, e colocou-O na entrada da sua casa. Ela disse para Ele não deixar ninguém entrar enquanto ela foi banhar-se no lado de dentro da casa. O Senhor Siva retornava para casa e estava com muita sede, e foi barrado por

Ganesha no portão. Siva ficou muito irado, e cortou fora a cabeça de Ganesha, pensando que Ele se tratava de um intruso.

Quando Gauri ficou sabendo disso, ela ficou dolorosamente sentida. Para consolar o sofrimento da esposa, o Senhor Siva ordenou a Seus servos para cortar e trazer a cabeça de qualquer criatura que estivesse dormindo, tendo a sua face voltada para o norte. Os servos saíram com a missão e encontraram apenas um elefante naquela posição. Fez-se o sacrifício, e a cabeça do elefante foi trazida diante do Senhor Siva, que a colocou na cabeça de Ganesha.

O Senhor Siva fez o Seu filho merecedor de adoração, para dar início a todos os entendimentos, casamentos, viagens, estudos, etc. Ele ordenou que uma adoração anual a Ganesha fosse estabelecida no 4º dia da lua cheia de Bhadrapada.

Sem a graça do Senhor Shri Ganesha e Sua ajuda, nada poderá, por conseguinte, ser alcançado. Nem uma ação pode ser realizada sem o Seu suporte, Graça e bênção.

Esta é a primeira lição na alfabetização de uma criança Maharshtrian, quando iniciada no mantra do Senhor Ganhesa: Om Shri Ganeshaya Namah. Apenas depois disso o alfabeto é iniciado.

São os seguintes os nomes dados ao Senhor Ganesha: Dhoomraketu, Sumukha, Ekadantha, Gaja-karnaka, Lambodara, Vignaraja, Ganadhyaksha, Phalachandra, Gajanana, Vinayaka, Vakratunda, Siddhivinayaka, Surpakarna, Heramba, Skandapurvaja, Kapila and Vigneshwara. Ele é, também conhecido como sendo Maha-Ganapathi.

Seu mantra é Om Gung Ganapathaye Namah. Os aspirantes espirituais que adoram Ganesha, como deidade tutelar, repetem este mantra ou Om Sri Ganeshaya Namah.

Os devotos do Senhor Ganesha fazem o Japa do Gayatri Mantra de Ganesha, de seguinte forma:

Tat purushaaya vidmahe Vakratundaaya dheemahi Tanno dhanti prachodayaat
Cultura Hindu

22.2.09

TRATAK


Tratak O Yoga dos olhos

Tratak, que significa "olhar fixamente", aparece nos dois tratados de Hatha Yoga - Gerandha Samhita e Hatha Yoga Pradipika - como um dos Shat Karmas (ou Shat Kriyas), isto é, uma das seis práticas de limpezas psicofísicas.
Segundo estes dois livros, a prática do Tratak constitui simplesmente em fixar o olhar - sem piscar - em algum objeto que pode ser uma vela, a foto ou a imagem de uma divindade, e até a lua ou o sol nascente, em práticas mais avançadas.
Existem dois tipos de Tratak: bahiranga (exterior) e antaranga (interior). O primeiro é o que vamos tratar neste texto. O segundo é a convergência da visão interna em algum objeto, que pode ser um chakra ou a imagem de alguma divindade. Um trabalha com os olhos abertos e o outro com eles fechados.
O Tratak, além de todos os seus enormes benefícios na área da saúde ocular, é um poderoso exercício de concentração.
Diz Swami Satyananda: "Tradicionalmente sua prática é considerada como formando parte do Hatha Yoga, mas sua técnica se assemelha mais à uma mudra, de maneira que também pode ser considerada como parte do Raja Yoga. Se praticada regularmente, desenvolve um poder de concentração até um grau quase ilimitado."
Ou seja, além de uma excelente técnica de Pratyahara (abstração dos sentidos) e Dharana (concentração), Tratak também pode, como diz Satyananda, se tornar uma mudra, como é o caso dos dhristi (que significa mirada concentrada): Bruhmadya Drishti (também chamada de Sambhavi Mudra) - a mirada no ponto entre as sobrancelhas, e Nasagra Dhristi (ou Agoghari Mudra) - a mirada na ponta do nariz.
Em termos energéticos, o Tratak, de uma forma geral, vai trabalhar energizando e despertando o Ajña Chakra (que é quem "gerencia" os olhos).
A prática de Nasagra Dhristi vai energizar também Ida e Pingala e o chakra Muladhara - pois estas nadis tem suas origens neste chakra e nas duas narinas.
Diz o Gerandha Samhita: "Olha fixamente, sem piscar, para um objeto pequeno, até que as lágrimas comecem a correr. Isto é denominado Tratak pelos sábios. Praticando este Yoga, Sambhavi Mudra é obtido. Certamente todos os males da visão são destruídos e a clarividência é produzida."
E o Hatha Yoga Pradipika diz: "Sem pestanejar, fixe seu olhar, com a mente concentrada, até que as lágrimas jorrem dos olhos. Isto é denominado Tratak pelos Gurus. Com Tratak todas as doenças dos olhos são curadas".
O Tratak que vamos abordar neste texto é, na verdade, um desenvolvimento da série 4 da técnica de Pavana Muktasana. São exercícios que simultaneamente combinam movimento e alongamento da musculatura ocular, além do treinamento da concentração. Antes de apresentar as técnicas, algumas recomendações importantes:
Os braços deverão trabalhar em ângulo reto com o tronco, com a unha do dedão bem na altura dos seus olhos - nestas práticas o objeto da sua concentração será a unha do seu dedão. A mão estará sempre fechada com o dedão abduzido. E você ainda dará, " de quebra", um bom trabalho aos deltóides...
Procure não movimentar a cabeça. Quem trabalha são os olhos. No início até sem percebermos movemos a cabeça, mas com a prática isto se corrige. Mantenha sempre o queixo paralelo ao chão e os ombros e o rosto sem tensão.
Combine o movimento com respiração. Estabeleça um ritmo , uma sincronia.
Comece a praticar a série fazendo apenas uma vez cada exercício e aí bem gradualmente vá aumentando as repetições.
Nos exercícios em que os olhos e braço estão em movimento, dê sempre uma parada no ápice do movimento. para alongar. O ápice é aquele ponto em que você já quase não vê mais o dedo (como, p.ex., na abdução de 90º do braço). Mantenha a imobilidade nesta posição por alguns segundos para alongar a musculatura ocular.
Nos exercícios em que os olhos e o braço estão em movimento, FAÇA SEMPRE OS MOVIMENTOS MUITO LENTAMENTE. Só assim você obtém os benefícios do trabalho de concentração. Os exercícios que trabalham com movimento dos olhos e o braço imóvel, devem ser feitos mais rapidamente.
Mesmo quando a visão periférica for mais forte - como no caso da chegada no ápice do movimento - mantenha sua intenção na mirada no dedão. Estaremos assim, treinando também a convergência da atenção e da intenção (consciência e vontade), o que é muito importante no caminho do Yoga.
Entre um exercício e outro, dê uma sequência de piscadas rápidas, para umidificar bem os olhos, e mantenha-os fechados por alguns segundos.
No final, o ideal seria meditar um pouco. Mas nunca abra os olhos antes de esfregar bem as palmas das mãos produzindo bastante calor e impondo-as em concha sobre os olhos. Quando o calor acabar, massageie suavemente as pálpebras inferior e superior. Só aí, então, abra lentamente os olhos.
Eventualmente pode ocorrer tontura durante a prática. Não force mas também não abandone (exceto é claro, se você tem problemas mais sérios como, p.ex., labirintite. Consulte seu médico antes de praticar Tratak). Pode ocorrer também, após a prática, dor nos olhos ou mesmo enxaqueca. É bom frisar que estamos movimentando e alongando musculatura ocular , e isto poderá provocar algum incômodo, da mesma forma como acontece quando começamos a fazer algum exercício após estarmos meio enferrujados. Além disso, estamos mobilizando profundamente uma região importante que "hospeda" conteúdos psico-emocionais mal digeridos, na forma do que o Dr. W. Reich chamou de couraça ocular. A mobilização desses conteúdos do inconsciente mobiliza nossas defesas que vão procurar sabotar o processo de resgatar o livre fluxo da energia. Com a prática os desconfortos normalmente desaparecem.
Problemas oculares como miopia, estrabismo, astigmatismo e hipermetropia são considerados configurações diferentes de couraças oculares. O trabalho com Tratak pode, dependendo da perseverança, atenuar ou até mesmo curar estes distúrbios oculares. Com toda a certeza, a moderna Ortóptica vem direta ou indiretamente do Tratak. Atenção: pessoas com problemas mais sérios, como por exemplo, glaucoma, devem consultar o olfalmologista antes de praticar Tratak.

Técnica
Postura: Padmasana, ardha padmasana, sukhasana, siddhasana, dandasana ou vajrasana.
Um braço flexionado 90 graus e o outro abduzido 90 graus: saltar o olhar de um dedão ao outro várias vezes. Trocar a posição dos braços.
Os dois braços abduzidos 90 graus: saltar o olhar de um dedão para o outro.
Braço flexionado 90 graus: lentamente abduzi-lo horizontalmente 90 graus acompanhando com o olhar, parar alguns segundos para alongar e voltar. Trocar o braço.
Um braço flexionado até o ponto mais alto que a vista alcançar e o outro o mais baixo que a vista possa alcançar. Saltar o olhar de um dedão para o outro várias vezes. Trocar a posição dos braços.
Saltar o olhar de Nasagra para Brumadhya dhristi indo e voltando várias vezes.
Braço flexionado 90 graus: elevar lentamente fazendo a flexão e acompanhando com o olhar até o ponto mais alto. Parar alguns segundos para alongar e voltar até o ponto mais baixo. Parar para alongar e voltar para o centro. Repetir com o outro braço.
Em Vajrasana: Flexionar um braço até o ponto mais alto e vir aduzindo-o fazendo um grande meio-círculo até a posição mais baixa. Trocar de braço e fazer o outro lado subindo o outro meio-círculo. Fazer a ida e a volta do círculo completo.
Flexão dos dois braços a 90 graus, mãos juntas: fixar o olhar em um ponto no infinito e ir lentamente abduzindo horizontalmente os braços até 90 graus e voltar. Procure simultaneamente fixar o ponto a frente no infinito e acompanhar na visão periférica os dois dedões que se movem cada um para um lado, indo e voltando para a posição inicial.
Braço flexionado 90 graus: foque o centro da unha do dedão e venha aproximando-o lentamente dos olhos, forçando o foco, até a mão encostar no nariz. Volte e troque o braço. É importante procurar manter o foco, mesmo quando isto é impossível.
Fixe o olhar na ponta do nariz (Nasagra dhristi). Em seguida fixe o olhar em um ponto no infinito. Vá e volte o olhar, inicialmente bem lentamente e depois saltando o olhar da ponta do nariz para o infinito e vice-versa.
O Tratak clássico : coloque uma vela acesa um pouco abaixo da altura dos olhos, e a cerca de um metro de distância. Fixe firmemente o olhar sem piscar até que os olhos lacrimejem. Feche-os e relaxe.
Fontes:
- Yogasanas, Pranayama, Mudra e Bandha, Swami Satyananda Saraswati.- Gerandha Samhita e Hatha Yoga Pradipika, tradução de Caio Miranda.


Ernani Fornari (Dharmendra)

10.2.09

A estruturação do psiquismo segundo o Hinduísmo



A estruturação do psiquismo segundo o Hinduísmo


“Quem sou eu?” é, sem dúvida, a pergunta mais importante do universo humano.
E é claro, “De onde vim e para onde vou?”, “Quem é Deus?”, e tantas outras perguntas do mesmo teor, vêm na seqüência.
E em toda a história da Humanidade, o homem mergulhou intensamente na busca desta resposta.
Para tanto, criou inúmeras religiões, filosofias, ciências e psicologias, sempre na ânsia ancestral e atávica, de desvendar aquilo que os índios norte-americanos chamam de “O Grande Mistério”.
A idéia central das culturas orientais e xamânicas – a Unidade – traz o conceito de que tudo é Um, o Universo é um único organismo consciente e totalmente interagente, e que toda a percepção e sensação de separatividade é uma ilusão (maya).
Os hindus chegam a dizer que a única doença de que nós realmente sofremos – todas as outras (físicas e psíquicas) são um desdobramento desta – é avidya, a ignorância da nossa natureza real, a Unidade.
E é assim que nós nos sentimos: totalmente cindidos, fragmentados. Tanto externamente – nos sentimos separados de cada semelhante, da Natureza e do que acreditamos que seja Deus; quanto internamente – corpo, cabeça e coração raramente se alinham.
Na tarefa humana de caminhar para a Luz, em primeiro lugar é importante perceber que quando trabalhamos conosco ou com outra pessoa, estamos fundamentalmente lidando com as duas instâncias mais externas da personalidade - a auto-imagem e a persona – que são construções psico-emocionais limitadoras desenvolvidas por nós (inconscientemente, na maior parte do tempo) paradoxalmente para nos defender.
A auto-imagem é “quem eu acredito que eu sou”. É um sistema de crenças que nós artificialmente construímos como proteção em função das nossas experiências dolorosas, e que nos dão uma imagem e uma perspectiva de nós mesmos, que na maior parte das vezes nós sentimos como muito desfavorável, ou ao contrário (mas pela mesma defesa), o ego infla e a pessoa se sente exageradamente o máximo.
A persona é “quem eu quero que acreditem que eu sou”. São as nossas máscaras sociais filhas da auto-imagem, e que procuram compensar esta.
E a auto-imagem e a persona são competente e eficientemente fomentadas, mantidas e monitoradas pela mente e pelo ego.
A auto-imagem e a persona são componentes importantíssimos na construção da nossa visão de mundo, a chamada “realidade” (que é o que nós acreditamos que a vida é).
Outro movimento do psiquismo - que foi percebido por S. Freud bem no início da estruturação da Psicanálise - são as pulsões da busca do prazer e da evitação da dor. E todo o complexo psico-emocional trabalha neste sentido: o de nos manter afastados do contato com a dor.
Na infância, quando passamos por experiências traumáticas, estas impressões são “escondidas” no inconsciente. A intenção é que não tenhamos que estar sempre entrando em contato com nossas dores (ou do que a mente acredita serem dores), pois seria insuportável viver assim, lembrando o tempo todo de tudo o que de ruim nos aconteceu.
O problema é que estas dores continuam vivas no inconsciente, produzindo ao longo do tempo um sistema de crenças e padrões que irá contribuir decisivamente na formação do caráter e da personalidade, e também na somatização de doenças físicas, psico-emocionais ou sociais.
Ou seja, paradoxalmente , o mesmo procedimento interno que trabalha para nos proteger, nos limita e nos sabota.
Vamos pegar emprestada aqui, um pouco da Psicologia Hindu para nos dar um subsídio filosófico:Em primeiro lugar, se tanto as tradições orientais quanto as xamânicas dizem que somos seres multidimensionais, isto quer dizer que existimos simultaneamente em infinitos níveis, certo?
Na filosofia hindu, temos duas formas de codificar as dimensões do ser humano: uma trina (os Shariras, ou corpos) mais usada pelo Yoga e outra quíntupla (os Koshas, ou envoltórios) mais usada pela Vedanta. São apenas divisões de caráter didático, já que estas dimensões não são lineares e tridimensionais, são holográficas.

Os Shariras, ou corpos, são 3: o Sthula Sharira ou corpo denso (o corpo físico), o Sukshma Sharira ou corpo sutil (o corpo de energia, o corpo emocional e o corpo mental) e Karana Sharira ou corpo causal.
Karana Sharira se chama corpo causal porque é nesse nível onde se localiza a causa da ignorância (avidya). Mas é também neste nível que se localiza a visão da Águia, da Testemunha, e que acontecem as canalizações e as conexões mediúnicas. E este também é o nível que faz a “interface” do estado de consciência separada com o estado da Unidade Absoluta (Nirvana, Samadhi, Moksha, Satori).
Os Koshas, são chamados de envoltórios (ou bainhas), porque são as camadas que ilusoriamente prendem e condicionam o Espírito.

Ernani Fornari

7.2.09

Dicas para viver uma vida mais consciente, plena e equilibrada



15 Dicas para viver uma vida mais consciente, plena e equilibrada:


1. Todos nós ao nascer, ganhamos um espelho. Este espelho é, então, colado no nosso peito. E assim vivemos toda a nossa vida, refletindo o outro e vendo no (espelho do) outro o nosso reflexo. Hermann Hesse disse : “ Se você odeia uma pessoa, odeia algo nela que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos incomoda.”Viver considerando isto, vai desenvolvendo nossa compaixão, nossa tolerância, nossa empatia e nossa solidariedade para com as nossas fraquezas e dificuldades e as dos outros.2. Cem por cento do que somos e vivemos (inclusive o que supomos ser acidentes) é fruto de nossas escolhas e opções. Conscientes ou inconscientes. Desta ou de outras vidas. Viver consciente disto desenvolve nosso discernimento e nossa responsabilidade para com a vida, com as pessoas e com nossas atitudes.3. Livre-se da culpa. A única função da culpa é manter sua auto-estima baixa (por isso algumas religiões fomentam a idéia da culpa para assim manter poder). Transmute a culpa por responsabilidade. Ninguém é culpado de absolutamente nada, mas todos são completamente responsáveis por tudo. Viver assim te torna mais atento e cuidadoso para com toda a existência.4. Desenvolva a aceitação. Sempre que entramos em contato com alguma dificuldade ou fraqueza nossa, através de alguém ou de alguma circunstância, normalmente o primeiro impulso da mente/ego é: ou nos defendemos, negando e resistindo a entrar em contato (muitas vezes entrando na irritação e na revolta, geralmente imputando a culpa a alguém ou a alguma coisa), ou entramos na condição de vítimas, mergulhando na baixa auto-estima. Aceite sua natureza humana como ela é e aceite também a sua sombra. Entenda que você está aqui na Terra para aprender e expandir sua existência. Um Mestre hindu falou: “Errar, ter defeitos, falhas, fraquezas, é seu direito. Trabalhar para transmutar isso tudo é seu dever”.
5. Tudo no Universo tem duas polaridades : yin/yang, masculino/feminino, positivo/negativo, etc. As emoções e os sentimentos também tem duas polaridades: o outro lado da tristeza é a alegria, do medo é a coragem, da raiva é a energia de realização, do ódio é o amor e o perdão, da ansiedade e da angústia é a calma e o centramento, da baixa auto-estima é a confiança em si mesmo, enfim, nosso grande trabalho de transmutação é estar constantemente reequilibrando estas polaridades. Os hindus diriam que devemos estar sempre transmutando Tamas e Rajas em Sattwa, isto é, trazendo sempre os pensamentos, sentimentos e atos densos , limitadores e negativos, para as freqüências mais sutis.Viver assim economiza um bocado de energia. Considerando que tudo na vida é passageiro, é mais inteligente procurar mudar a polaridade das coisas e dar a volta por cima do que ficar naufragando constantemente nos mesmos padrões psico-emocionais.6. Desenvolva a neutralidade e a observação. Os índios chamam isto de “visão da águia”: sair voando de dentro do burburinho dos eventos e, de cima, com uma perspectiva ampla, observar os acontecimentos sem identificação ou julgamentos. Ou, em outro exemplo: sair de dentro do rio caudaloso de nossa vida - onde estamos imersos até o pescoço - sentar na margem e observar. Quando dentro do rio, imersos até o pescoço, qualquer ondinha nos parece um vagalhão, mas quando nos sentamos à beira do rio, a ondinha novamente vira ondinha, e aí podemos ter uma perspectiva mais correta e um envolvimento menos sofrido com as coisas. Isto desenvolve uma profunda consciência da relatividade dos pontos de vista e, por conseguinte, o redimensionamento da nossa identificação e envolvimento com a transitoriedade da vida. 7. Evite as comparações. Lembra do “jardim do vizinho é sempre mais bonito” ? Ledo engano! Grande armadilha! Mal sabemos que o vizinho ao olhar nosso lado também pensa a mesma coisa sobre algum aspecto de nós...Considerar este fato, te livra do peso dos julgamentos alheios e te torna mais centrado em teu próprio eixo.8. Os hindus dizem que todas as doenças que existem - sejam físicas, emocionais, psíquicas ou energéticas - derivam, de uma forma ou de outra, de uma única doença: a ignorância de nossa natureza real, a Unidade (eles chamam esta ignorância de avidya e a Unidade de Brahman).Toda a criação é uma grande web onde tudo é interagente, interdependente e holográfico. Realmente não estamos irremediavelmente presos a tempo e espaço e às três dimensões (não só as antigas tradições, mas a física quântica atual afirmam amplamente esta questão). Considerando nossa natureza una, saiba que não há nada fora de você que você precise obter que já não tenha. Está tudo dentro de você, todo o Universo. Você apenas precisa relembrar sua natureza original, que está pulsando em cada partícula do Universo, em cada pessoa, em cada ser de cada reino. Todo amor, paz e felicidade já estão dentro de você, sempre.Você decididamente não é um pecador. Você não é uma pedra bruta que precisa ser lapidada. Você já é uma jóia pronta, maravilhosa, só que recoberta pela poeira desta ignorância primordial. Passar a considerar estas verdades milenares em nossa vida cotidiana desenvolve nossa co-participação consciente no Universo nos seus mais diversos níveis de existência. 9. Todo o Universo é consciente ! Cada pessoa, cada animal, cada planta, cada pedra, cada célula, cada átomo, cada galáxia... A consciência não é um privilégio do cérebro humano, que é apenas um dos veículos onde esta Consciência se expressa. Esta é a chamada onipresença e onisciência de Deus. Os índios têm formas sofisticadas de entrar em contato e interagir com a consciência subjacente à Natureza.Viver considerando este fato torna tua vida muito mais respeitosa, consciente e responsável.10. Quando a vida nos apresenta algum evento desconfortável, algum obstáculo ou algum confronto, normalmente o que é acionado em nosso corpo/mente é o “automático” lutar ou fugir. A adrenalina está sempre pronta para desencadear ação. Mas a verdade é que na maior parte das vezes não seria necessário lutar nem fugir, bastaria relaxar e observar, e a partir daí agir com consciência, ou então deixar os acontecimentos se desenrolarem naturalmente. Vamos investir mais nas endorfinas! Faça Yoga ou TaiChiChuan!Desta forma, em todos os níveis e setores da nossa vida, podemos integrar firmeza e simultaneamente relaxamento – só firmeza gera rigidez e só relaxamento gera moleza !
11. Adote a pergunta : “O que é que eu tenho que aprender com isso?”. Todas (todas mesmo) as coisas que nos acontecem, vem para nos ensinar. A vida está sempre fazendo suas arrumações para que possamos aprender e evoluir. Por isso alguém já disse: “cuidado com o que você deseja pois pode acontecer!”. Nós costumamos achar que quando pedimos à Deus alguma virtude, Ele vai milagrosamente introduzir esta virtude em nossa mente e de repente ficamos pacientes, ou disciplinados, ou tolerantes. Provavelmente o que a vida fará é te proporcionar situações que vão te fazer desenvolver aquela virtude. Se você pediu paciência, provavelmente vai atrair pessoas que vão te fazer perdê-la, e aí é que estará o seu aprendizado. Então, sempre que as pessoas ou as circunstâncias te trouxerem desconfortos ou incômodos, ao invés de se revoltar, se ofender ou se entristecer, ou ainda, achar que a culpa é do outro, pergunte à Vida o que esta situação está te obrigando a trabalhar, que virtudes e qualidades você está tendo que desenvolver para lidar com isso de forma harmônica e equilibrada.Este procedimento com certeza vai aumentar enormemente a qualidade de nossa consciência e a conseqüente percepção dos movimentos da vida e do seu sentido.
12. Gastamos grande tempo mental ficando angustiados por um passado que não podemos mais mudar e/ou ficando ansiosos por um futuro que ainda não chegou. Outra grande parte, ainda, gastamos sonhando acordados, delirando os nossos sonhos e desejos. E aí duas coisas ocorrem: uma: sobra pouco tempo para a consciência do aqui-e-agora, o presente, que é onde efetivamente a vida acontece; duas: quando precisamos da mente para as coisas que ela foi feita para funcionar – a nossa vida humana diária – esta mente tem dificuldade em se concentrar, em estar presente, inteira, poderosa, centrada.Concentrando-nos no presente desfrutamos mais da vida. A meditação é um ótimo treinamento para aprender a viver no presente, nos livrando das pré-ocupações e desenvolvendo uma mente verdadeiramente eficiente.
13. Infelizmente, ainda vivemos sob a ideologia do “ganha-perde”, ou seja, temos muito incutida em nossa cultura a idéia de que para se ganhar alguém precisa perder. É assim que se construiu, por exemplo, o sistema capitalista. Também é seguindo esta filosofia que está-se destruindo nosso planeta. E é desse ganha-perde que estão impregnadas as nossas relações (lembra da lei de Gérson?). Não só no sentido profissional e financeiro, mas também no emocional e no afetivo.É urgente reimplantar-se o “ganha-ganha” nas relações interpessoais e nas relações do homem com a Natureza. Não existe nenhuma possibilidade de ganho real para nada nem ninguém, em nenhum setor da vida, se este ganho for obtido em detrimento da perda de alguém ou de alguma coisa. Na visão oriental, o Karma Yoga é a técnica que visa reeducar o homem e a sociedade para a verdadeira forma de ganhar.Este procedimento simples pode transformar toda a perspectiva que temos em relação à vida, entendendo e vivendo na prática a grande lei universal de causa e efeito.
14. Atente para a sincronicidade. Uma escritura hindu diz : “Nenhuma folha de grama se mexe sem uma razão”. Nada é casual, mas tudo é intrinsecamente causal. Um outro Mestre disse : “nós falamos com Deus através da oração, e Ele nos fala através da sincronicidade”. O Dr. Jung percebeu que era esta qualidade da Criação que fazia com que as artes divinatórias (I Ching, Tarot, Runas, Búzios) funcionassem. Todo o Universo é Um, portanto tudo é interrelacionado. E a Lei do Karma é quem disciplina este interrelacionamento. Atente para os sinais! O tempo todo o Universo está interagindo com você!Estar atento à sincronicidade desenvolve a intuição e a expansão da percepção do movimento consciente e multidimensional do Universo.
15. E finalmente – e sobretudo - “não faças aos outros o que não queres que te façam” ainda é a regra de ouro.Viver integralmente assim te torna efetivamente consciente, pleno e equilibrado.

Ernani Fornari (Dharmendra)