16.7.14

Om Gam Ganatataye Namaha


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Om Gam Ganapataye Namaha.



Sri Ganesha é uma forma de Brahman Supremo; Ele realiza muitos passatempos ou Lilas, por isso O vemos de tantos modos e maneiras, aparecendo segurando diferentes parafernálias. Isso acontece com qualquer outra forma externa de Brahman, nas representações de Deus, e em alguma de Suas formas pessoais. Brahman, ou Supremo, ou Ishwara, também Krishna, ou Shiva, São distintas formas de Uno.
Desta forma, a figura de Ganesha (Gana - som (alusão à tromba) + Isha—Senhor), também, possui um largo aspecto arquetípico, os quais expressam um estado de perfeição, bem como os meios de obtê-la. O símbolo mais importante de Sri Ganesha diz respeito ao fato de que Ele deve ser descoberto como a Divindade no interior de si mesmo.
Ganesha é o primeiro som, OM, no qual todos os hinos sagrados iniciam. Quando Shakti, a energia, matéria ou poder feminino, e Shiva, o Ser, ou consciência, unem-Se, tanto som – Gana, e Luz, Skanda, nascem. Ganesha representa o equilíbrio perfeito entre a força e a bondade; poder e beleza. Ele, também, tem a a capacidade de discernimento, a qual provê a habilidade para distinguir entre a Verdade e a ilusão; o que é real e o irreal.
Uma descrição de todas as características e atributos de Sri Ganesha é dada no Ganapati Upanishad, feito pelo Rishi Atharva, no qual Ganesha é declarado como idêntico ao Brahman ou Atma. Este Upanishad contém um dos mais famosos Mantras de Sri Ganesha: Om Gam Ganapataye Namah, que literalmente tem o significado de: Eu me rendo a Vós, ó Senhor dos mestres.
De acordo com as regras estritas de iconografia Hindu, Ganesha em figuras com apenas duas mãos é considerado tabu. Portanto, Ganesha aparece no mais das vezes com quatro braços, os quais simbolizam a Sua divindade. Algumas imagens podem contem seis, outras oito, dez, doze ou quatorze braços; cada mão carrega uma simbologia, a qual difere dos símbolos das outras. Contudo, há cerca de cinqüenta e sete símbolos no todo, de acordo com alguns especialistas.
A imagem de Ganesha é composta dos seguintes símbolos: quatro animais, homem, elefante, a serpente, e o rato, que dão a noção de conjunto para Sua figura. Todo o séqüito possui um profundo significado simbólico no conjunto.
O Senhor da boa-fortuna
Em termos gerais, Shri Ganesha é a deidade mais frequentemente amada e invocada, uma vez que Ele é o Senhor da boa fortuna, e também o destruidor dos obstáculos, tanto da vida material como espiritual. É por esta razão que Sua graça é evocada ante de iniciar quaisquer que sejam as tarefas (por exemplo, trabalho rotineiro, viagens, prestar exames, conduzir os negócios, uma entrevista, realizar uma cerimônia, etc.). O Mantra, Aum Sri Ganeshaya Namah (saudação ao nome de Sri Ganesha), ou similar, é o que se usa nestas ocasiões. É por essa tradição que todas as seções de Bhajans, cânticos devocionais, iniciam com uma evocação de Ganesha. O Senhor benevolente de todos os princípios. Através da Índia, e da cultura do Sanatana Dharma, o Senhor Ganesha é o primeiro símbolo colocado em qualquer nova casa ou morada.
Além do mais, Sri Ganesha está associado com o primeiro Chakra, o qual representa o instinto de conservação e sobrevivência; da procriação e do bem-estar material.
Atributos corporais
Cada elemento do corpo de Sri Ganesha possui seu próprio valor, e seu próprio significado. No mais das vezes, Sri Ganesha é representado com quatro mãos. Um devoto deverá meditar na forma do Senhor e procurar entender o significado. A orientação do Guru ou mestre espiritual é de fundamental importância para se poder compreender o que tudo significa (mas pode ser que uma vida inteira não seja suficiente para isso…).
Vejamos os símbolos mais freqüentes em Sri Ganesha:
- a cabeça de elefante: indica fidelidade, inteligência e poder de discernimento;
- uma presa: este fato de ter uma presa inteira e outra quebrada tem o significado de que Ganesha possui a habilidade de sobrepor todas as formas de dualismo;
- largas orelhas: denota sabedoria; habilidade para escutar as pessoas que pedem ajuda, e refletem as Verdades espirituais. Elas, também, significam a importância fundamental de escutar tendo em vista aprender e assimilar as idéias. As largas orelhas indicam que quando Deus é conhecido, tudo é conhecido;
- tromba curvada: indica as potencialidades intelectuais, as quais se manifestam em si mesmas na faculdade (Viveka) de discernimento entre o que é real, temporário e passageiro, daquilo que é terno, sempre existente (Atma);
- Trishula na testa: a lança com três pontas (arma do Senhor Siva, similar a um tridente), sinaliza simbolicamente o tempo: passado, presente e futuro, e Ganesha tem total domínio sobre ele.
- barriga de Ganesha: ela contém os universos infinitos. Ela significa a generosidade da natureza e equanimidade; a habilidade de Ganesha absorver os sofrimentos do universo e proteger o mundo;
- posição de Suas pernas (uma descansando e outra sendo apoiada), indica a importância de viver e participar do mundo material, bem como do mundo espiritual; a habilidade de viver no mundo sem mundanizar-se;
- quatro braços: eles representam os quatro atributos internos do corpo sutil que são: Manas (mente), Buddhi (intelecto), Ahamkara (ego), e a consciência condicionada (Chitta). O Senhor Ganesha representa a consciência pura – Atma – a qual habilita as quatro funções dos atributos em nós;
- mão segurando machado: tem a simbologia de reduzir todos os desejos, dores e sofrimentos. Com este machado, Ganesha tanto pode golpear como repelir os obstáculos. O machado, também, simboliza o aguilhão que conduz o homem para o caminho da retidão e da Verdade;
- segunda mão segurando um laço: tem o símbolo da força, que amarra a pessoa devota à eterna beatitude de Deus. O laço conduz a idéia de que devemos nos libertar dos apegos e desejos mundanos;
- a terceira mão abençoa os devotos: esta é a posição da benção, refúgio e proteção divina ou Abhaya;
- a quarta mão sustenta uma flor de lótus: o Padma simboliza a elevada meta da evolução humana; a doçura de realizar o Ser interior.
O Senhor cuja forma é o OM, carregado por Mushika
Ganesha é representado, também, e descrito como Omkara ou OM. O formato de Seu corpo é uma copia que delineia a sílaba OM em Devanagari (a escrita do sânscrito). O OM é conhecido como Mantra Bija ou Mantra Semente. Por esta razão, Sri Ganesha é considerado a corporificação ou encarnação do cosmos inteiro; como sendo a base de todos os fenômenos do mundo (Vishvadhara; Jagadoddhara). Além do mais, na linguagem Tamil, a sagrada silaba é indicada precisamente por suas características que delineiam a cabeça de Ganesha.
De acordo com as interpretações, o veículo que transporta Sri Ganesha, o ratinho ou Mushikam, representa a sabedoria, bem como o talento e a inteligência. Ele simboliza a pequena investigação de um objeto critico. Assim, ela é também um símbolo da ignorância que domina a escuridão e teme a luz do conhecimento.
Tanto Sri Ganesha com Mushika adoram Modaka, um doce o qual é tradicionalmente oferecido para ambos em cerimônias de adoração. Mushika é usualmente representado bem menor do que Ganesha, contrastando com os veículos de outras formas ou Deidades. No entanto, Mushika é representado como um rato enorme na arte Maharashtrian (de Mahatashtra), que desenham Mukash como um grande rato.
Também, uma outra interpretação diz que o ratinho Mushika ou Aku, representa o ego, a mente com todos os nossos desejos, e o orgulho individual. Ganesha cavalga o ratinho, tornando-se mestre e não escravo daquelas tendências; indicando, também, o poder do intelecto e das faculdades de discernimento como superiores à mente. Ademais, o rato – que é extremamente voraz na natureza – é muitas vezes representado próximo a um prato de doces, com seus olhos para Ganesha, enquanto segura um bocado de comida entre suas patas, como que aguardando uma ordem de Ganesha. Isso tudo representa a mente, a qual foi completamente subordinada à faculdade do intelecto; a mente sobre estrita supervisão, a qual se fixa em Ganesha, e não pega comida a não ser com a permissão de Ganesha.
Por fim, tudo isso representa a modéstia a humildade que devemos ter. Ganesha, apesar de sua gigantesca forma, grande talento e conduta, torna-Se tão leve que pode ser carregado por alguém tão pequeno, como um ratinho insignificante.

Conheça os simbolismos de Ganesha



 
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Conheça os simbolismos e a história de Ganesha

por Claudette Grazziotin - clau.graz@terra.com.br

De accordo com uma de suas lendas, Ganesha foi criado a partir de uma pasta de sândalo e açafrão que a deusa Parvati (sua mãe e esposa de Shiva) tirou do próprio corpo. Ele foi designado para guardar as portas do santuário materno e só aceitava as ordens de Parvati. Certo dia, o deus hindu Shiva decidiu entrar, mas o menino não permitiu sua entrada.

Em um acesso de fúria e sem nenhuma piedade, Shiva usou seu poderoso tridente e separou a cabeça do menino do corpo. Arrependido e vendo Parvati muito triste, Shiva concedeu uma bênção à Ganesha: um elefante real foi decapitado e a cabeça do animal foi colocada no pescoço do filho que voltou a vida.

Assim, Ganesha se tornou uma criança especial com uma cabeça de elefante, designado a partir de então como "O Senhor que remove todos os obstáculos".

Ganesha simboliza a sabedoria, inteligência, amor, fertilidade e prosperidade. É o primeiro a ser invocado nas cerimônias para garantir o sucesso em qualquer empreendimento. Ele destrói todos os obstáculos materiais e espirituais.

Em algumas imagens, ele aparece com quatro braços e às vezes montado sobre um rato.

Na tradição tântrica, a tromba de Ganesha lembra o linga (órgão sexual masculino) e a boca, a yoni (órgão sexual feminino). A força graciosa do deus elefante representa o vasto poder da energia sexual. Ele também é chamado de OmKara, ou "aquele que tem a forma do Om".

Os indianos dedicam à Ganesha o dia 9 de setembro para homenageá-lo (é feriado na Índia e as festividades duram uma semana).

O simbolismo de Ganesha

Cabeça: sabedoria, inteligência, ponderação; a importância dos pensamentos grandiosos. Na sua testa, o tridente de Shiva simboliza força em relação ao tempo-espaço;

Orelhas: concedem o poder para ouvir a verdade espiritual (e também o menor ruído, o que funciona como proteção;

Olhos: concentração;

Presa: indica sua vida dupla: metade humana, metade animal. Isso ajuda a superar qualquer dificuldade;

Boca: fale pouco e com sabedoria;

Barriga: proeminente, expressa os bons e maus momentos que todos passam na vida, mas, de modo geral, representa a prosperidade;

Mão esquerda: segura uma corda - faz com que atraia seus objetivos;

Mão direita: palma visível (simboliza a proteção suprema) ou pode segurar uma machadinha (símbolo da destruição dos desejos);

Pernas: esteja no mundo, mas não se deixe corromper por ele;

Tromba: símbolo da eficiência e adaptabilidade (e da fertilidade);

Rato: astúcia e a força de vontade (para controlar os desejos);

Para evocar Ganesha

Cores: amarelo, laranja, vermelho
Dia da semana: quarta-feira
Oferendas: arroz, frutas, goiabada, mel, queijo (moedas e flores)

Monica Buonfiglio  

15.3.14





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Ganesha pertence à família de deuses mais popular do Hinduísmo. Ele é o filho mais velho de Parvati e Shiva. Parvati é filha dos deuses Himalayas, aquela cadeia de montanhas nevadas, que cobre o norte da Índia. Ela é uma deusa muito graciosa e linda, mãe bondosa e esposa devota. Shiva - bem, até mesmo seus amigos mais íntimos admitem, que ele não é um pai ou marido ideal. Shiva ama sua família de todo coração, mas a sua maneira. O que acontece é que ele não agüenta ficar em casa o tempo todo. Tem alma de aventureiro, gosta de viajar, mas a sua paixão é a meditação e o Yoga. Tanto, que quando absorto meditando, nem um terremoto o perturba.

Shiva e Parvati casados, viviam muito felizes num bangalô no Monte Kailasa nos Himalayas, longe da civilização. Depois de algum tempo, Parvati percebeu que seu marido estava inquieto, ele abria a janela e olhava suspirando os altos picos das montanhas, e ela via nos seus olhos a sombra de um sonho. Ela o amava profundamente, e compreendeu o desejo que o consumia.

Um dia ela disse a Shiva:

- Por que você não viaja por uns tempos? Eu sei que você levava uma vida diferente, antes de nos casarmos. Você meditava, dançava, deve estar sentindo falta de tudo isso agora.

- Não minha querida - assegurou-lhe o marido. - Os velhos tempos acabaram, não sinto falta deles mais.

- E a sua meditação? - ela perguntou. Ela era a sua principal ocupação. - Você é o maior yogui dentre todos os deuses.

Shiva sabia que ela estava certa. Ele desejava mesmo se absorver de novo, pela prática da meditação, e tinha saudades das grutas favoritas das montanhas, onde se sentava para meditar. E depois foi o poder do Yoga, que o transformou num deus tão poderoso. Mas ele ainda hesitou.

- Mas você não vai se sentir sozinha, se eu for?

Parvati lhe assegurou que ficaria bem. Até porque, queria reformar o bangalô, transformar num lugar confortável e bonito onde uma família pudesse morar, um lar de verdade.

Feliz, Shiva colocou sua pele de tigre na cintura, enrolou suas cobras favoritas no pescoço e braços, chamou Nandi, sua vaca, e dando um aceno de despedida partiu montado nela.

- Não me demorarei. - ele disse a Parvati

Só que Shiva é o mais esquecido dos deuses. Quando medita é impossível despertá-lo. Acima do sagrado rio Ganges, Shiva se sentou e começou a meditar. Passaram-se muitos anos, que equivaliam a milhares de anos terrestres, uma vez que o tempo é diferente para os homens e deuses.

Quando finalmente, Shiva levantou da posição de lótus, lembrou-se da esposa que o esperava pacientemente, no Monte Kailasa, e correu de volta para casa.

Neste tempo que Shiva esteve ausente, Parvati fez um lindo jardim em volta do bangalô, costurara cortinas para as janelas e almofadas para o chão, pintara as paredes e as portas. E nem ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia que tinha deixado sua esposa grávida. Parvati teve um lindo menino, que a manteve bastante ocupada, lhe deu o nome de Ganesha.

Anos se passaram e o deus bebê cresceu e transformou-se num rapaz inteligente e sério, muito apegado a mãe, e que adorava ajudá-la.

Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho, enquanto seu filho se mantinha perto do portão do jardim. Um homem alto, com longos cabelos presos, um monte de cobras e uma pele de tigre enrolada no corpo se aproximava do portão, e atrás dele uma vaca. Shiva tinha voltado para casa sem se preocupar com sua aparência selvagem.

Shiva parou... - será que esta linda casa era mesmo a sua? E quem seria aquele garoto bonito no portão?

- Deixe-me entrar menino!

- Não, - respondeu Ganesha, franzindo as sobrancelhas para o vagabundo que queria entrar.

- Você não pode entrar! Ganesha se posicionou na porta de espada em punho.

Naquele momento, Shiva estava furioso, seu terceiro olho, do poder, apareceu no meio da sua testa, brilhando como fogo. Em segundos o corpo do menino estava no chão sem cabeça.

Ouvindo vozes Parvati se apressou, horrorizada viu seu filho sem cabeça e o marido que há tanto tempo não via. Chorou amargamente. Exclamou:

- O que você fez?! Este é Ganesha seu filho!

Shiva desculpou-se a Parvati, porém não podia voltar atrás, o que esta feito, esta feito. Mas prometeu a sua esposa que o primeiro ser que visse “dormindo errado” (considerava que aquele que dormia com a cabeça voltada para o sul, estava errado, pois o certo seria dormir com a cabeça voltada para o norte) ele cortaria a cabeça e a colocaria em seu filho.

Então Shiva percorreu milhas e milhas, e encontrou um filhote de elefante dormindo “errado”. Shiva cortou-lhe a cabeça e ao retornar encaixou-a entre os ombros de Ganesha. Inconformada Parvati foi pedir ajuda a outros deuses.

Brahma e Vishnu que são autoridades no Hinduísmo tanto quanto Shiva, ao ver o pobre e esquisito menino com cabeça de elefante, disseram a Parvati que nada poderiam fazer quanto a cabeça de Ganesha, pois não poderiam passar por cima de uma decisão de Shiva, mas poderiam dar à Ganesha poderes, para que ele se transformasse num deus muito querido por todos ou hindus. Ganesha seria sempre reverenciado antes de todas as cerimônias religiosas, seria também aquele que destrói os obstáculos, aquele que trás fortuna...

Parvati sentiu-se aliviada, agradeceu aos deuses, e se foi.

E assim se fez. Hoje na Índia Ganesha é o deus mais adorado, sua imagem é encontrada no painel de todos transportes, na entrada das lojas comerciais, e é realmente lembrado com carinho e devoção em todas as cerimônias religiosas, dando proteção e apoio àqueles que são seus devotos.

Ele é o Deus do conhecimento, sabedoria  e removedor de obstáculos. Ele é venerado ou pelo menos lembrado no inicio de qualquer missão ou novo projeto para bênçãos e patrocínio.

Ele tem quatro mãos, a cabeça de um elefante e uma barriga bem grande. Seu veiculo é um pequeno rato. Em uma de suas mãos ele carrega uma corda (para carregar os devotos da verdade), uma machadinha em outra (para libertar seus devotos de apegos e vícios), tem um doce em uma das mãos (para gratificar os seus devotos por suas atividades espirituais), suas quatro mãos estão sempre estendidas para abençoar as pessoas.  A combinação de sua cabeça de elefante e um veiculo de pequeno e ligeiro ratinho representa tremenda sabedoria, inteligência, presença de espírito e agilidade mental.

Texto baseado no livro:
 Ganesh - O Grande Deus Hindu